Era outro dia. Outro para viver, com ilusões e desilusões, com esperanças e medos, outro igual a tantos mais... Mas não foi assim!
Primeiro, ao levantar-me da cama, tropecei no tapete e caí... no exacto momento em um pedaço do tecto caiu no espaço que eu ocupava instantes antes! Sorte, pensei eu enquanto curava o lanho que fiz na cabeça, que cair contra a mesa de cabeceira é duro! Sorte diabólica, que sorte mesmo era não ter caído nem o tecto nem eu... Mas, depois de telefonar ao senhorio, que ao contrário do habitual e contra a sua própria personalidade se prontificou a arranjar o estrago, lá fiz a minha higiene ( que não é feita de ano a ano, é diária, muito ao contrário do que possam pensar...) e segui a minha vidita.
Saí de casa, fui ao café, pedi o pequeno-almoço e lá estava a tal vizinha que me enchia os sonhos e preenchia as fantasias. Um mero bom-dia era tudo o que ela me tinha dado até então, mas naquele dia ela juntou-se a mim, conversámos um pouco e foi ela que sugeriu jantarmos juntos nessa noite, que a sexta é propícia a saídas... Sorte, pensei eu ao sair do café, rumo ao meu trabalho. Mais uma sorte inesperada, esta a fazer o trabalho que a minha falta de ousadia não me tinha permitido efectuar...
Entrei no trabalho meio às escondidas, que já passavam dois minutos da hora e o patrão não é uma alma muito tolerante... E fui logo apanhado! Mas a conversa foi diferente... Chamou-me ao gabinete dele, disse-me que estava muito contente com o meu labor e que, como pensava expandir a empresa, que me ia promover, que ia passar a ganhar o triplo... Abuso de sorte! Já nem tinha palavras capazes de descrever este dia perfeito em que tudo parecia correr bem...
Mas aí senti uma dor na cabeça enorme... e abri os olhos! Estava deitado no chão, com a luz apagada, em cima do tapete e ainda eram três da manhã... A cabeça tinha um lanho de todo o tamanho, que devo ter feito ao cair... E a sorte passou para o reino dos sonhos!
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